O resultado do Pisa 2025, a principal avaliação internacional de estudantes, foi divulgado em 8 de setembro de 2026 pela OCDE — e o retrato do Brasil é de estagnação. Em matemática, o país marcou 377 pontos, praticamente o mesmo nível de 2015, e ficou na 71ª posição entre 91 países e regiões avaliados. Apenas 28% dos estudantes brasileiros de 15 anos alcançaram o nível básico de proficiência na disciplina, contra 65% na média dos países da OCDE.
A seguir, explicamos o que o Pisa mede, os números do Brasil em cada área, por que a aparente aproximação da média internacional não significa melhora real — e o que esse cenário muda para quem está estudando para o Enem e para os vestibulares.
01.O que é o Pisa e o que ele mede
O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) é coordenado pela OCDE e aplicado a cada três anos a estudantes de 15 anos — idade em que, na maioria dos países, os jovens estão concluindo a escolaridade obrigatória. A edição de 2025 reuniu 91 países e regiões.
Diferente de uma prova de conteúdo decorado, o Pisa mede a capacidade de usar o conhecimento escolar para resolver problemas do cotidiano. Em matemática, o nível básico de proficiência (o nível 2, numa escala de seis) exige tarefas como comparar a distância total de duas rotas alternativas ou converter preços para outra moeda — situações que envolvem interpretação, proporcionalidade e operações fundamentais.
É justamente esse recorte que torna o resultado relevante para além da estatística: ele indica quantos jovens conseguem aplicar na vida prática aquilo que a escola deveria ter consolidado.
02.Os números do Brasil no Pisa 2025
Os resultados brasileiros divulgados pela OCDE foram:
- Matemática: 377 pontos (379 em 2022), na 71ª posição entre 91 países e regiões;
- Leitura: 408 pontos (410 em 2022), na 52ª posição;
- Ciências: 409 pontos (403 em 2022), na 67ª posição — a única área com alta numérica, de 6 pontos.
Na comparação com 2022, praticamente nada mudou. E, segundo a OCDE, os resultados brasileiros permanecem próximos dos observados desde 2015 nas três áreas: uma década de estagnação. Na América Latina, o Brasil ficou abaixo de Uruguai, Chile e México, e acima de Peru, Argentina e Equador.
Em proporção de alunos no nível básico ou acima dele, o cenário é o seguinte: 28% em matemática (média da OCDE: 65%), 49% em leitura (OCDE: 69%) e 48% em ciências (OCDE: 74%).
03.Matemática: o que significa ter só 28% no nível básico
Dizer que 28% dos estudantes atingiram o nível 2 em matemática significa que cerca de 7 em cada 10 jovens de 15 anos não conseguem resolver tarefas matemáticas simples do dia a dia quando elas não vêm com instruções diretas — como interpretar uma situação e reconhecer como representá-la matematicamente.
Esse é o ponto que mais preocupa especialistas, porque as habilidades do nível básico são exatamente as que sustentam decisões práticas: comparar preços, entender um desconto, calcular proporções em uma receita ou interpretar um gráfico de inflação. São as mesmas competências por trás das calculadoras e dos guias que reunimos aqui no SóCalculadora — como porcentagem, regra de três e média.
Vale separar fato de interpretação: os números acima são dados oficiais da OCDE; já as causas da estagnação — financiamento, formação de professores, desigualdade regional, efeitos da pandemia — são objeto de debate entre pesquisadores e não há consenso único.
04.Por que “se aproximar” da OCDE não significa melhorar
Uma leitura apressada do Pisa 2025 poderia sugerir que o Brasil avançou, já que a distância para a média dos países da OCDE diminuiu. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam outra explicação: a média da OCDE caiu — países ricos registraram alguns dos piores desempenhos da história da avaliação, sobretudo em leitura e matemática — enquanto o Brasil apenas se manteve estável.
Em outras palavras, a aproximação aconteceu “por cima”: não foi o Brasil que subiu, foi o grupo que desceu. O Ministério da Educação, por sua vez, destacou que o país está entre os que mais avançaram no desempenho dos estudantes nos últimos 20 anos — uma leitura de longo prazo que convive com o fato de a última década ter sido de platô.
Há ainda um contraste interno relevante: os resultados do Saeb e do Ideb 2025, divulgados em agosto pelo MEC, indicaram recuperação das perdas da pandemia e os melhores índices da série histórica. O Pisa mede outra coisa — aplicação prática de conhecimento aos 15 anos —, e é essa diferença de desenho que ajuda a explicar os dois retratos.
05.A novidade da edição: resolução de problemas com ferramentas digitais
Pela primeira vez, o Pisa avaliou a capacidade dos estudantes de resolver problemas usando ferramentas digitais, ampliando o recorte para além de matemática, leitura e ciências. A mudança acompanha o cenário em que planilhas, aplicativos e calculadoras fazem parte da vida de estudantes e profissionais — e exige uma habilidade anterior à ferramenta: entender o problema antes de delegar o cálculo.
É uma leitura que conversa diretamente com a proposta do SóCalculadora: a calculadora resolve a conta, mas quem interpreta a situação, escolhe a operação e julga se o resultado faz sentido continua sendo você.
06.O que isso muda para quem está estudando
Para o estudante, a lição prática do Pisa é direta: as provas que decidem o acesso à universidade — a começar pelo Enem — cobram exatamente a competência que o Brasil mais reprova, a interpretação de situações-problema. Treinar só a fórmula não basta; é preciso treinar a leitura matemática do enunciado.
Três caminhos gratuitos dentro do próprio SóCalculadora para trabalhar isso:
- Trilha de Matemática Básica e Trilha de Matemática Intermediária — revisão guiada, módulo a módulo, dos fundamentos que o Pisa mostra estarem frágeis;
- Simulados por tema — questões comentadas para treinar interpretação, não só cálculo;
- Quiz ENEM — 20 questões comentadas no estilo da prova, para medir onde você está antes do exame.
Se a estatística do Pisa parece distante, o recorte individual é o que interessa: saber em quais temas você trava é o primeiro passo para não fazer parte dela.
07.Fontes e limites desta apuração
Os dados citados vêm do relatório do Pisa 2025 divulgado pela OCDE em 8 de setembro de 2026 e da cobertura jornalística de Agência Brasil, g1 (Jornal Nacional), O Globo e Estadão, publicadas entre 8 e 10 de setembro de 2026. As declarações de especialistas atribuídas neste texto reproduzem essa cobertura.
O Pisa avalia estudantes de 15 anos que estão na escola — jovens fora do sistema escolar não entram na amostra, o que tende a suavizar o retrato de países com evasão elevada. Além disso, pontuações de edições diferentes são comparáveis na escala da OCDE, mas variações pequenas (como os 2 pontos em matemática entre 2022 e 2025) não devem ser lidas como tendência.
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Como citar
SóCalculadora. SóCalculadora | Aprenda Matemática, Química, Física e Faça Cálculos Online. Disponível em: https://socalculadora.com.br/blog/pisa-2025-brasil-matematica-resultado. Acesso em: 10 de outubro de 2026.
Perguntas frequentes
Qual foi a nota do Brasil em matemática no Pisa 2025?
377 pontos, dois a menos que em 2022 (379) e praticamente o mesmo patamar de 2015. O resultado colocou o país na 71ª posição entre 91 países e regiões avaliados pela OCDE.
O que o Pisa considera nível básico de matemática?
É o nível 2 numa escala de seis. Nele, espera-se que o estudante interprete situações simples e as represente matematicamente sem instruções diretas — por exemplo, comparar a distância total entre duas rotas ou converter preços para outra moeda.
Quantos estudantes brasileiros atingiram o nível básico?
Em matemática, 28%, contra 65% na média da OCDE. Em leitura, 49% (OCDE: 69%) e, em ciências, 48% (OCDE: 74%).
O Brasil melhorou no Pisa 2025?
Não em termos absolutos: as notas ficaram estáveis em relação a 2022 e próximas das de 2015. A distância para a média da OCDE diminuiu porque a média dos países ricos caiu, não porque o desempenho brasileiro subiu.
Qual a diferença entre o Pisa e o Ideb?
O Ideb é calculado a partir do Saeb, avaliação nacional ligada ao currículo brasileiro, e mede a qualidade das escolas por etapa de ensino. O Pisa é internacional, avalia jovens de 15 anos e mede a aplicação prática do conhecimento em problemas do cotidiano. Os desenhos são diferentes e não medem exatamente a mesma coisa.
Quando sai o próximo Pisa?
O Pisa é aplicado a cada três anos, então a próxima edição é esperada para 2028. Até lá, o resultado de 2025 segue sendo o retrato internacional mais recente da educação brasileira.
O que posso fazer, na prática, para fugir dessa estatística?
Treinar interpretação de situações-problema, não só fórmulas. Revisar fundamentos em trilhas guiadas, resolver questões comentadas por tema e medir o desempenho em simulados no estilo Enem são caminhos diretos — todos disponíveis gratuitamente aqui no SóCalculadora.
Sobre este conteúdo
Publicado em: 18 de setembro de 2026 · Última atualização: Setembro de 2026 · Responsável editorial: Felipe da Silva Lopes · Papel editorial no cluster: conteúdo editorial do blog sobre Educação, com contexto e encaminhamento para as calculadoras e guias do cluster.
Metodologia: Apuração a partir de fontes oficiais e primárias citadas no texto, com fórmulas e exemplos conferidos manualmente. Conteúdo revisado conforme política editorial.
Fontes técnicas: Fontes oficiais citadas ao longo do artigo e política editorial do SóCalculadora.